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Novo Plano Nacional de Educação é aprovado na Câmara: veja as metas para os próximos 10 anos

A Comissão Especial da Câmara dos Deputados aprovou, nesta quarta-feira (10), o parecer final do relator Moses Rodrigues (União-CE) sobre o novo Plano Nacional de Educação (PNE). A proposta, que estabelece metas e diretrizes para a educação brasileira pelos próximos dez anos, avança em caráter conclusivo e poderá seguir diretamente ao Senado, caso não haja recurso para votação no Plenário da Câmara. Se aprovado pelas duas Casas, o PNE se tornará o documento central para orientar as políticas públicas de educação na próxima década.

A decisão foi unânime. Após negociação entre os partidos, o relator apresentou uma nova versão do Projeto de Lei 2614/24, enviado pelo Poder Executivo, com 13 ajustes em relação ao parecer anterior. O consenso garantiu a aprovação simbólica e abriu caminho para o avanço de um dos instrumentos mais importantes do sistema educacional brasileiro.

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Um plano decenal para reorganizar a educação brasileira

O novo PNE terá vigência de dez anos a partir de sua publicação — e não mais de 2024 a 2034, como previsto inicialmente. Ele substituirá o PNE 2014-2024, cuja vigência foi estendida até o final de 2024 para evitar um vácuo legal.

Esta será a terceira edição do plano e, como as anteriores, busca alinhar o planejamento educacional a padrões de qualidade, equidade, inclusão e eficiência, com metas para combater o analfabetismo, universalizar o acesso à escola e valorizar os profissionais da educação.

A versão aprovada organiza o PNE em 19 objetivos estratégicos, cobrindo toda a trajetória educacional — da creche ao ensino superior. Também aborda formação e carreira docente, financiamento, inclusão, educação profissional, clima escolar e gestão democrática.

Financiamento da educação: meta de chegar a 10% do PIB

Um dos pontos mais debatidos no processo de elaboração do novo PNE foi o financiamento. O parecer aprovado prevê:

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  • Investimento equivalente a 7,5% do PIB em sete anos
  • Investimento equivalente a 10% do PIB ao final do decênio

Essa meta retoma o compromisso já estabelecido no PNE anterior e considerado essencial para ampliar a oferta e melhorar a qualidade da educação básica e superior.

A complementação de voto do relator retirou a obrigatoriedade de estados e municípios informarem investimentos proporcionais aos próprios PIBs — uma demanda colocada pela área econômica do governo, que alegou alta complexidade técnica e risco de impactos fiscais imediatos.

O texto também mantém o Custo Aluno-Qualidade (CAQ), mas deixa os valores para regulamentação posterior, permitindo adequação gradual e evitando pressões orçamentárias.

Ajustes para consenso: direitos humanos, financiamento e gestão democrática

O relator ajustou diversos pontos do texto para garantir acordo entre diferentes blocos partidários. As principais mudanças foram:

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1. Adequações nas expressões sobre direitos humanos

Termos específicos relacionados a “identidade de gênero” e “orientação sexual” foram substituídos por expressões mais abrangentes envolvendo respeito aos direitos humanos e combate às discriminações.

2. Exclusão da regulamentação da educação domiciliar

O homeschooling não foi incluído no texto, garantindo coerência com a defesa da escola pública como espaço central do processo educativo.

3. Ajuste nos mecanismos de financiamento

A definição de valores relacionados ao CAQ foi remetida à regulamentação, para evitar impacto fiscal automático.

4. Reforço da gestão democrática

O texto torna a seleção técnica de diretores escolares uma condicionalidade para repasses de recursos, fortalecendo critérios meritocráticos e de qualificação profissional.

Metas e prazos do novo PNE

As metas estabelecidas são divididas por períodos dentro da vigência do plano. Entre elas:

2º ano

  • Universalizar a pré-escola para crianças de 4 e 5 anos
  • Conectar 50% das escolas públicas à internet de alta velocidade com rede wi-fi

3º ano

  • Universalizar o acesso à escola para todos os estudantes de 6 a 17 anos
  • Garantir condições mínimas de infraestrutura e salubridade em todas as escolas
  • Melhorar infraestrutura das instituições de ensino superior

5º ano

  • 80% das crianças alfabetizadas ao final do 2º ano do fundamental
  • 97% da população com 15 anos ou mais alfabetizada
  • Tempo integral em 50% das escolas públicas, atendendo 35% dos alunos
  • Wi-fi em 75% das escolas
  • Planos de adaptação às mudanças climáticas em 60% das redes
  • Redução de contratos temporários para no máximo 30% dos docentes

7º ano

  • Investimento público em educação equivalente a 7,5% do PIB

Até o fim do 10º ano

  • 85% dos alunos com aprendizagem adequada no fim do fundamental
  • 80% dos estudantes com aprendizagem adequada ao final do ensino médio
  • Investimento público equivalente a 10% do PIB

Inclusão, segurança e formação profissional

O novo PNE também ressalta metas de combate à violência escolar e ao bullying, temas que ganharam destaque nos últimos anos. A versão aprovada destaca:

  • promoção de um ambiente escolar seguro
  • ações de prevenção e combate à violência
  • fortalecimento de políticas de bem-estar estudantil

O plano ainda estabelece que 50% das novas matrículas no ensino profissionalizante devem ser integradas ao ensino médio, ampliando a inserção dos jovens em cursos que combinam formação geral e preparação para o mundo do trabalho.

No ensino superior, o foco será a empregabilidade e geração de renda, com ações que aproximem universidades e setor produtivo.

Repercussão positiva no Congresso

Após a aprovação, diversos parlamentares elogiaram o processo de construção do texto. A presidente da comissão especial, deputada Tabata Amaral (PSB-SP), foi citada por conduzir as negociações que permitiram a votação consensual.

A deputada Adriana Ventura (Novo-SP) destacou o equilíbrio alcançado:
Ninguém saiu 100% satisfeito, todo mundo cedeu. Hoje votamos o principal instrumento da educação brasileira para os próximos dez anos.

O deputado Tarcísio Motta (Psol-RJ), por sua vez, celebrou a manutenção da meta de 10% do PIB:
É claro que o desafio agora é colocar em prática cada sonho expressado no plano.

Próximos passos

Como o PNE tramita em caráter conclusivo, ele seguirá diretamente ao Senado, salvo se houver recurso para votação no Plenário da Câmara. A expectativa é de que a tramitação avance ainda neste ano, evitando um lapso entre o PNE atual e o próximo.

O texto aprovado será fundamental para orientar:

  • políticas de alfabetização
  • expansão da educação infantil
  • conectividade escolar
  • ensino médio integrado
  • formação e carreira docente
  • financiamento
  • educação superior
  • inclusão e direitos humanos

A aprovação marca um passo decisivo para reorganizar a estratégia nacional de educação e retomar metas fundamentais para o desenvolvimento do país.

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1 comentário em “Novo Plano Nacional de Educação é aprovado na Câmara: veja as metas para os próximos 10 anos”

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