O julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) que discute os efeitos do piso salarial nacional do magistério nas carreiras dos professores foi novamente interrompido. O ministro Gilmar Mendes pediu vista dos temas 1218 e 1324, suspendendo pela segunda vez a análise do caso no plenário virtual da Corte.
A decisão adia um dos julgamentos mais aguardados por professores da educação básica e entidades sindicais, já que o processo pode definir o pagamento de diferenças salariais retroativas e o impacto do piso nacional nos planos de carreira de estados e municípios.
STF discute aplicação do piso nas carreiras docentes
O julgamento analisa se o Piso Nacional do Magistério deve servir como vencimento-base inicial da carreira dos professores e se os reajustes anuais definidos pelo Ministério da Educação (MEC) precisam ser aplicados automaticamente pelos entes federativos.
A discussão envolve diretamente a Lei 11.738/2008, que regulamenta o piso salarial nacional dos profissionais da educação básica pública.
Além disso, a Corte também avalia se professores poderão cobrar valores retroativos de estados e municípios que não aplicaram corretamente os reajustes ao longo dos últimos anos.
Relator defende prazo maior para adequação
O relator do processo, ministro Cristiano Zanin, votou para reconhecer que o piso corresponde ao vencimento inicial da carreira docente.
No entanto, Zanin propôs um novo prazo de dois anos para que estados e municípios façam a adequação dos planos de carreira.
Pelo entendimento do relator, não haveria possibilidade de cobrança retroativa de diferenças salariais referentes aos anos anteriores.
Toffoli diverge e amplia direitos dos professores
O ministro Dias Toffoli apresentou voto divergente do relator e defendeu a aplicação imediata dos reajustes definidos pelas portarias anuais do MEC.
Segundo esse entendimento, os reflexos do piso deveriam atingir toda a estrutura das carreiras do magistério, não apenas o salário inicial.
O voto também abre possibilidade para que professores cobrem valores retroativos de estados e municípios que não cumpriram corretamente a legislação do piso nacional.
Alexandre de Moraes acompanha divergência
O ministro Alexandre de Moraes acompanhou integralmente o voto divergente apresentado por Dias Toffoli.
Com isso, até o momento, o julgamento apresenta posições diferentes dentro da Corte sobre a forma de aplicação do piso salarial nacional dos professores.
Pedido de vista deve atrasar julgamento por meses
Com o novo pedido de vista apresentado por Gilmar Mendes, o julgamento deverá permanecer suspenso por pelo menos três meses, prazo regimental previsto pelo STF.
Além disso, o período de recesso do Judiciário em julho pode ampliar ainda mais o atraso para retomada da análise.
Após a devolução do processo, caberá à presidência do STF definir uma nova data para continuidade do julgamento.
CNTE promete manter mobilização
A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) informou que continuará mobilizada para acompanhar o julgamento e defender a prevalência do entendimento favorável aos professores.
A entidade considera o voto de Dias Toffoli um avanço importante para a valorização da carreira docente e para o cumprimento efetivo da Lei do Piso Nacional do Magistério.
Decisão pode impactar redes públicas em todo o país
O resultado final do julgamento poderá afetar diretamente estados, municípios e o Distrito Federal, já que a decisão deve orientar futuras ações judiciais sobre o piso do magistério.
Especialistas avaliam que o entendimento do STF poderá redefinir a política salarial de professores da educação básica pública em todo o Brasil.

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