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📚 Apenas 45% das turmas de Educação Infantil praticam leitura com mediação no Brasil, aponta pesquisa

Leitura na primeira infância é fundamental para o desenvolvimento cognitivo e emocional das crianças, mas ainda está longe de ser uma realidade universal nas escolas brasileiras.

A importância da leitura na primeira infância

Na fase entre 0 e 6 anos, conhecida como primeira infância, a criança passa por um intenso processo de desenvolvimento. É nesse período que se estruturam aspectos fundamentais como a linguagem, o pensamento crítico, a empatia e a imaginação. A leitura, especialmente quando mediada por adultos, é uma ferramenta poderosa para estimular todas essas dimensões.

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Ler para as crianças ou com elas fortalece os vínculos afetivos, desenvolve a capacidade de escuta, promove a ampliação de vocabulário e contribui para o desenvolvimento socioemocional e cognitivo.

Dados alarmantes: só 45% das turmas praticam leitura com mediação

Apesar da importância comprovada da leitura mediada, uma pesquisa recente revela uma realidade preocupante nas instituições de ensino brasileiras. O estudo “Avaliação da Qualidade da Educação Infantil: um retrato pós-BNCC”, realizado pela Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal (FMCSV), em parceria com o LEPES/USP, Movimento Bem Maior e apoio do Itaú Social, aponta que apenas 45% das turmas de Educação Infantil no Brasil realizam mediação de leitura.

Pior ainda: 5% dessas práticas acontecem sem intencionalidade pedagógica, ou seja, sem planejamento ou objetivos claros de aprendizagem.

Acesso limitado ao livro nas escolas

Outro dado impactante da pesquisa mostra que 83% das unidades de Educação Infantil possuem livros de histórias, mas apenas 10% oferecem acesso livre às crianças.

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Isso significa que, mesmo com o material disponível, a liberdade de escolha e o contato espontâneo com os livros — elementos essenciais para desenvolver o interesse genuíno pela leitura — são extremamente limitados.

Leitura fora da rotina escolar: 39% das turmas não têm atividades literárias

A pesquisa analisou 3.467 turmas em 12 municípios brasileiros e revelou um cenário de negligência em relação à literatura infantil:

  • 39% das turmas não incluem atividades literárias na rotina;
  • Apenas 27% promovem leitura compartilhada regularmente;
  • Entre 39% e 49% das turmas não oferecem oportunidades de leitura e escrita, nem incentivam a participação das crianças na organização das atividades.

O que dizem as evidências científicas sobre o impacto da leitura?

O relatório destaca que diferentes áreas do conhecimento — da neurociência à pedagogia, passando pela psicologia e economia — reconhecem a primeira infância como um período crítico para o desenvolvimento humano.

“Diversas dessas evidências demonstram o quanto a qualidade das interações com o meio e com os adultos de referência, bem como a garantia de afeto, estímulos adequados e cuidados são cruciais para as aprendizagens e desenvolvimento integral”, afirma o documento.

A ausência de práticas educativas qualificadas nesse período compromete o desenvolvimento das crianças e aprofunda desigualdades que tendem a se perpetuar ao longo da vida escolar.

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Políticas públicas são urgentes para garantir o direito à leitura

Os dados evidenciam a necessidade urgente de políticas públicas voltadas à leitura na Educação Infantil. Isso inclui:

  • Formação continuada de professores com foco em mediação de leitura;
  • Criação de ambientes acessíveis e estimulantes nas salas de aula;
  • Adoção de currículos que valorizem a literatura desde os primeiros anos de vida;
  • Iniciativas de incentivo à leitura que envolvam também as famílias e a comunidade.

O papel da escola e da sociedade na promoção da leitura

A leitura não é apenas uma atividade escolar: é um direito da criança. Por isso, seu incentivo deve envolver professores, gestores, famílias, ONGs e toda a sociedade.

Investir em literatura infantil, garantir acesso a livros de qualidade e incluir a leitura como prática cotidiana é um caminho seguro para construir uma educação mais equitativa, afetiva e transformadora.

Conclusão: um alerta e um convite à ação

Apenas 45% das turmas com leitura mediada é um número que precisa nos alarmar. Cada ponto percentual perdido representa milhares de crianças sem acesso a experiências que poderiam mudar o rumo de suas vidas.

Promover a leitura na Educação Infantil é investir no presente para transformar o futuro. Que esta pesquisa sirva de farol para ações concretas em favor de nossas crianças.

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