O Ministério da Educação divulgou nesta quarta-feira (20) os resultados da primeira edição da Prova Nacional Docente (PND), aplicada em 2025. Segundo o levantamento, 65% dos participantes alcançaram nível de proficiência considerado adequado para atuação na educação básica.
Os dados revelam diferenças significativas entre as áreas avaliadas. Enquanto os cursos ligados às Ciências Humanas registraram os melhores desempenhos, a licenciatura em Matemática apresentou o menor índice de proficiência entre os futuros professores avaliados.
A divulgação ocorre em meio ao fortalecimento do programa Mais Professores para o Brasil, criado pelo governo federal com o objetivo de ampliar a qualidade da formação docente e estimular concursos públicos para a educação básica.
Matemática apresenta pior desempenho entre licenciaturas
Entre as áreas avaliadas pela Prova Nacional Docente, os estudantes de Matemática tiveram o desempenho mais baixo.
O índice de proficiência por área ficou assim:
- Ciências Humanas: 80,2%;
- Ciências: 78,4%;
- Educação Física: 69,2%;
- Pedagogia: 62,8%;
- Letras: 60,7%;
- Artes: 49,9%;
- Matemática: 45,9%.
Os números reforçam preocupações antigas sobre a formação de professores de Matemática no Brasil, área que já enfrenta dificuldades históricas relacionadas à falta de profissionais qualificados e baixos índices de aprendizagem entre estudantes da educação básica.
Especialistas em educação apontam que o déficit de docentes em disciplinas como Matemática, Física e Química vem se tornando um dos principais desafios das redes públicas de ensino.
Mais de 760 mil participaram da primeira edição
A primeira edição da PND mobilizou cerca de 760 mil participantes em todo o país.
Desse total, mais de 200 mil eram concluintes de cursos de licenciatura, ou seja, estudantes em fase final da formação para atuação como professores.
A avaliação integra as ações do programa Mais Professores para o Brasil e foi criada para medir a qualidade da formação oferecida nos cursos de licenciatura, além de servir como referência para processos seletivos e concursos públicos na área da educação.
O governo federal também pretende utilizar os resultados para acompanhar a evolução da formação docente ao longo dos próximos anos.
Como funciona a avaliação de proficiência
A Prova Nacional Docente estabelece padrões nacionais de desempenho para avaliar os conhecimentos pedagógicos e específicos dos futuros professores.
Para ser considerado proficiente, o participante precisava alcançar pelo menos 50 pontos na escala de avaliação de sua área.
O MEC definiu dois níveis principais de proficiência:
Padrão 1
Representa um nível inicial de atuação docente. Nesse estágio, o futuro professor demonstra possuir condições mínimas para planejar aulas e realizar avaliações, mas ainda necessita de maior orientação pedagógica.
Padrão 2
Indica atuação consistente e domínio mais sólido das competências docentes. Nesse nível, o profissional demonstra capacidade para aplicar metodologias, avaliações e estratégias pedagógicas com maior autonomia e fundamentação ética.
Segundo o MEC, a criação desses padrões permitirá comparar o desempenho entre diferentes áreas e monitorar a evolução da formação docente nas próximas edições da prova.
PND deve ganhar novas áreas em 2026
Após a primeira aplicação em 2025, o governo já confirmou ampliação da Prova Nacional Docente para 2026.
Na edição inaugural, foram avaliadas 17 licenciaturas. No próximo ano, o número subirá para 21 cursos.
Além das áreas já existentes, a nova edição incluirá:
- Teatro;
- Dança;
- Ciências Naturais;
- Letras – Espanhol.
Também continuarão sendo avaliadas licenciaturas em Pedagogia, Matemática, Letras, História, Filosofia, Educação Física, Física, Química, Geografia, Ciências Sociais, Música, Artes Visuais e Ciência da Computação.
Formação docente volta ao centro do debate educacional
Os resultados da primeira Prova Nacional Docente ampliam o debate sobre a qualidade da formação de professores no Brasil.
O desempenho mais baixo em áreas estratégicas, como Matemática, reforça discussões sobre necessidade de investimentos na formação inicial docente, melhoria das licenciaturas e fortalecimento das políticas de valorização da carreira.
Além disso, os dados surgem em um momento de preocupação nacional com o chamado “apagão” de professores, especialmente nas disciplinas ligadas às ciências exatas.
O governo federal pretende utilizar os resultados da PND como instrumento para aprimorar políticas públicas voltadas à educação básica e à formação dos profissionais responsáveis pelo ensino nas escolas brasileiras.

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