Os baixos índices de aprendizagem em Matemática no Brasil continuam a acender um alerta entre educadores, gestores públicos e especialistas em políticas educacionais. Avaliações nacionais e internacionais mostram que grande parte dos estudantes brasileiros não alcança níveis adequados de proficiência na disciplina — um cenário que, além de comprometer o desempenho escolar, contribui para a manutenção e o aprofundamento das desigualdades sociais.
Diante desse contexto, a Fundação Itaú lança o curso “Matemática Antirracista”, uma formação que propõe repensar o ensino da disciplina a partir de uma perspectiva socialmente comprometida e pedagogicamente inovadora. A iniciativa integra o conjunto de cursos autoformativos disponibilizados pela instituição e tem como foco fortalecer práticas educacionais mais equitativas e inclusivas.
Por que falar em Matemática Antirracista?
A Matemática, tradicionalmente vista como neutra e universal, também está inserida em contextos sociais, econômicos e políticos. Ao longo da história, desigualdades estruturais impactaram o acesso ao conhecimento científico e às oportunidades educacionais. No Brasil, esse cenário é atravessado por profundas marcas do racismo estrutural.
Quando estudantes não aprendem Matemática de forma adequada, suas possibilidades de inserção acadêmica e profissional ficam limitadas. Isso afeta diretamente o acesso a cursos técnicos, graduações em áreas estratégicas, concursos públicos e oportunidades no mercado de trabalho. Em outras palavras, a defasagem na aprendizagem matemática pode reforçar ciclos históricos de exclusão.
O curso “Matemática Antirracista” parte da premissa de que é possível — e necessário — transformar essa realidade por meio de práticas pedagógicas e avaliativas diversificadas, capazes de dialogar com diferentes contextos socioculturais e promover maior engajamento dos estudantes.
Objetivo do curso: integrar Matemática e justiça social
A formação tem como principal objetivo apresentar a Matemática sob uma nova perspectiva, articulando conteúdos conceituais com reflexões sobre equidade racial e justiça social. Ao longo dos módulos, os participantes são convidados a compreender:
- O papel da Matemática na superação das desigualdades;
- Como a disciplina pode contribuir no combate ao racismo estrutural;
- De que maneira práticas avaliativas antirracistas podem transformar o processo de ensino e aprendizagem.
Mais do que discutir teoria, o curso busca oferecer estratégias concretas que possam ser aplicadas em sala de aula, incentivando abordagens que valorizem a diversidade de experiências e saberes dos estudantes.
Conteúdo programático: teoria e prática articuladas
O conteúdo está organizado em três eixos centrais:
1. O papel da Matemática na superação de desigualdades
Neste módulo, a discussão gira em torno da função social da disciplina. A proposta é refletir sobre como o domínio da Matemática pode ampliar horizontes acadêmicos e profissionais, além de fortalecer a participação cidadã em debates que envolvem dados, estatísticas e políticas públicas.
2. A Matemática no combate ao racismo estrutural
Aqui, o foco recai sobre a relação entre educação matemática e equidade racial. O curso propõe analisar como práticas pedagógicas podem, intencionalmente, contribuir para enfrentar desigualdades históricas, reconhecendo contextos, trajetórias e desafios enfrentados por diferentes grupos sociais.
3. Práticas avaliativas antirracistas
A avaliação é um dos pontos centrais da formação. São apresentadas propostas avaliativas mais inclusivas, que consideram múltiplas formas de expressão do conhecimento e buscam reduzir vieses que, muitas vezes, penalizam estudantes em situação de vulnerabilidade.
Recursos acessíveis e formato autoformativo
O curso “Matemática Antirracista” foi estruturado em formato autoformativo, permitindo que cada participante organize sua rotina de estudos de acordo com sua disponibilidade. Entre os recursos disponíveis estão:
- Vídeos explicativos;
- Documentos de leitura complementar;
- Perguntas abertas para reflexão;
- Locução e legendas;
- Acessibilidade em Libras.
A diversidade de formatos visa ampliar o acesso e garantir que diferentes perfis de cursistas possam acompanhar o conteúdo com autonomia.
Quem está por trás do projeto
A realização é da Fundação Itaú, instituição reconhecida por investir em iniciativas voltadas à melhoria da educação pública brasileira. O curso tem autoria de Daniel de Oliveira Lima, com leitura crítica de Lohan Ventura e Claudia Nascimento. A coordenação do projeto é da área de Soluções Educacionais do Itaú Social, e a produção, edição e finalização ficaram a cargo da Amutay.
A construção coletiva do material reforça o compromisso com rigor conceitual, qualidade pedagógica e alinhamento às demandas contemporâneas da educação brasileira.
Formação estratégica para educadores e estudantes
Em um momento em que o debate sobre inclusão, equidade e qualidade do ensino ganha centralidade nas políticas públicas, a oferta de cursos como “Matemática Antirracista” representa uma oportunidade estratégica para professores, gestores e estudantes de licenciatura.
Ao articular aprendizagem matemática com enfrentamento das desigualdades raciais, a formação amplia o olhar sobre o papel social da escola e propõe caminhos concretos para tornar o ensino mais significativo e transformador.
Investir em uma educação matemática antirracista não é apenas uma escolha pedagógica, mas um passo decisivo na construção de um país mais justo — onde o domínio do conhecimento não seja privilégio de poucos, mas direito de todos.
Para mais informações acesse: https://fundacaoitau.org.br/escola/autoformativos/matematica-antirracista

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