O Senado Federal pode votar nesta terça-feira (26), a partir das 14h, a medida provisória que estabelece o novo piso salarial nacional dos professores da educação básica pública para 2026. A proposta fixa o valor em R$ 5.130,63 para jornadas de 40 horas semanais, representando reajuste de 5,4% em relação ao piso atual de R$ 4.867,77.
A votação ocorre em um momento decisivo para a política de valorização do magistério no país. Caso seja aprovada pelo Congresso Nacional dentro do prazo, a medida passará a consolidar uma nova regra permanente para atualização anual do piso salarial dos professores.
Nova regra muda cálculo do piso do magistério
A Medida Provisória 1.334/2026 altera a Lei do Piso Salarial do Magistério, criada em 2008, para adequar o cálculo do reajuste às regras atuais do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb).
Pela proposta, o reajuste anual passará a considerar dois fatores principais:
- A inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC);
- 50% da média de crescimento das receitas do Fundeb nos últimos cinco anos.
O cálculo inclui os recursos destinados ao fundo por estados, municípios, Distrito Federal e complementações da União.
Segundo o governo federal, a mudança busca criar maior estabilidade e previsibilidade para os reajustes do piso nacional do magistério.
Reajuste não poderá ficar abaixo da inflação
Um dos principais pontos da medida provisória é a criação de limites para o reajuste anual do piso salarial dos professores.
O texto estabelece que:
- O reajuste nunca poderá ser inferior à inflação do ano anterior;
- O aumento também não poderá ultrapassar a variação percentual das receitas do Fundeb registrada nos dois anos anteriores.
A proposta foi apresentada como uma tentativa de equilibrar valorização docente e capacidade financeira de estados e municípios.
O governo argumenta que a fórmula anterior gerava oscilações consideradas excessivas e poderia resultar em reajustes muito baixos em determinados anos.
Piso dos professores volta ao centro do debate nacional
A discussão sobre o novo piso salarial dos professores ocorre em meio às cobranças por maior valorização da carreira docente no Brasil.
Nos últimos anos, entidades educacionais e especialistas vêm alertando para dificuldades enfrentadas pela profissão, como baixos salários, déficit de profissionais em algumas áreas e queda no interesse pela carreira.
A atualização do piso é considerada estratégica para fortalecer a educação básica pública e melhorar a atratividade da docência.
Além disso, o tema ganhou ainda mais relevância após recentes estudos do Ministério da Educação apontarem desafios na formação inicial de professores e desigualdades no desempenho entre cursos presenciais e EAD.
Congresso corre contra o prazo
A medida provisória precisa ser aprovada pelo Congresso Nacional antes do prazo final de vigência.
Se não houver aprovação, o texto perderá validade, o que poderá gerar insegurança jurídica sobre os critérios de reajuste do piso nacional do magistério em 2026.
A proposta já passou por comissão mista e agora aguarda análise final nos plenários da Câmara dos Deputados e do Senado.
Nova fórmula busca dar previsibilidade a estados e municípios
Outro argumento utilizado pelos defensores da proposta é a necessidade de oferecer maior previsibilidade financeira para os entes federativos.
Como estados e municípios são os principais responsáveis pelo pagamento dos salários dos professores da educação básica, mudanças bruscas no cálculo do piso costumam gerar disputas judiciais e dificuldades orçamentárias.
A expectativa do governo é que a nova metodologia reduza conflitos e permita melhor planejamento das despesas com educação pública.
Piso nacional é referência para redes públicas
O piso salarial nacional funciona como referência mínima para professores da rede pública da educação básica em todo o país.
Embora sua aplicação integral ainda enfrente questionamentos em algumas localidades, a política é considerada um dos principais instrumentos de valorização do magistério brasileiro.
Com a aprovação da medida provisória, o piso passará oficialmente para R$ 5.130,63 em 2026.

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