O debate sobre a emergência climática deixou de ser um tema restrito aos espaços acadêmicos e ambientais. Hoje, ele faz parte de uma agenda urgente que atravessa governos, setores produtivos, instituições educacionais e a vida cotidiana de milhões de pessoas. Atento a essa necessidade, o Ministério da Educação (MEC) abriu 8.158 vagas para o curso gratuito “Educomunicação e Clima: Precisamos conversar sobre emergência climática nas escolas”, uma formação robusta e atualizada, com 60 horas de duração, voltada a educadores da Educação Básica em todo o país.
A iniciativa integra uma articulação nacional que reúne universidades, órgãos governamentais, movimentos sociais e redes de pesquisa dedicadas ao enfrentamento da crise climática no contexto escolar. O objetivo central é formar profissionais aptos a compreender os impactos das mudanças climáticas e a desenvolver, na escola, práticas educomunicativas que fortaleçam a participação estudantil, ampliem o senso crítico e promovam ações concretas de mitigação e adaptação.
Com inscrição gratuita e certificação oficial, o curso é oferecido totalmente on-line, em formato autoinstrucional, o que permite ao participante organizar sua própria rotina de estudos. Para milhares de professores, gestores e equipes de apoio escolar, trata-se de uma oportunidade estratégica para aprofundar conhecimentos essenciais em um momento em que a educação ambiental climática ganha força nas políticas públicas e nas demandas sociais.
Um curso construído em rede
O curso “Educomunicação e clima” nasce como um desdobramento do projeto de pesquisa “Como a educomunicação pode ampliar e qualificar as práticas de educação ambiental climática na Educação Básica no Brasil?”, financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa de São Paulo (Fapesp) por meio do Programa de Pesquisa em Políticas Públicas.
A coordenação é do Núcleo de Comunicação e Educação (NCE) da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (USP), uma das referências nacionais no campo da educomunicação. O projeto envolve ainda parceiros dos ministérios do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), da Educação (MEC) e da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), além da Prefeitura de São Paulo, do Movimento Escolas pelo Clima, da ANPPEA, da ABPEducom, do grupo GovAmb e da organização Ecofalante.
Essa construção colaborativa demonstra a dimensão pública do curso e reforça a relevância de uma resposta integrada à crise climática — especialmente dentro das instituições que formam crianças e adolescentes.
Conteúdo dividido em quatro módulos fundamentais
A formação é composta por quatro módulos, estruturados de forma progressiva e interligada. O objetivo é permitir que o educador compreenda o panorama geral da crise climática, reconheça o papel da educomunicação nesse debate e desenvolva planos de ação viáveis para sua realidade escolar.
Módulo 1 — Por que vivemos em emergência climática?
O módulo inicial apresenta os fundamentos científicos das mudanças climáticas, explicando conceitos como gases de efeito estufa, aquecimento global e seus impactos diretos e indiretos. A proposta vai além da compreensão técnica: discute também a desigualdade estrutural que faz com que populações vulnerabilizadas sejam mais afetadas pelos eventos extremos.
Além disso, o conteúdo destaca a presença do negacionismo científico e da desinformação climática, fenômenos que ampliam riscos e dificultam respostas sociais eficientes. Para o educador, compreender esse cenário é imprescindível para atuar de forma crítica e fundamentada na escola.
Módulo 2 — O que é educomunicação?
Neste módulo, o cursista conhece a origem e o desenvolvimento da educomunicação na América Latina e sua relação direta com a educação ambiental crítica. O eixo central é a compreensão de como práticas educomunicativas — como campanhas, jornalismo escolar, vídeos, podcasts e quadrinhos — podem fomentar protagonismo estudantil e estimular o engajamento social.
A ideia é transformar a escola em um espaço ativo de produção de sentidos, em que os estudantes se percebam parte da solução.
Módulo 3 — O que é educação ambiental climática?
O terceiro módulo discute conceitos, documentos internacionais, legislações brasileiras e políticas públicas relacionadas à educação ambiental climática. O material apresenta três iniciativas às quais escolas podem aderir gratuitamente:
- Movimento Escolas pelo Clima
- Programa Cemaden Educação
- Conferências Nacionais Infanto-Juvenis pelo Meio Ambiente
Essas experiências mostram que a escola pode atuar em rede, fortalecendo ações coletivas e contínuas.
Módulo 4 — Construindo nosso Plano de Ação Climática
O módulo final tem caráter aplicado. O educador aprende a estruturar um Plano de Ação Climática considerando quatro dimensões essenciais: currículo, gestão, espaço físico e comunidade. São apresentadas ferramentas práticas, exemplos de escolas sustentáveis e diretrizes para planejar, acompanhar e avaliar ações de educação ambiental climática ao longo do ano letivo.
Objetivos: formação crítica e ação concreta
O curso tem como objetivo geral preparar educadores da Educação Básica para trabalhar o tema das mudanças climáticas nas escolas, utilizando práticas educomunicativas como ferramenta pedagógica e de mobilização social.
Entre os objetivos específicos, destacam-se:
- incentivar a leitura crítica das mídias e a produção colaborativa de conteúdos;
- promover práticas de gestão participativa no enfrentamento à emergência climática;
- oferecer subsídios para elaboração de Planos de Ação Climática em diferentes contextos escolares.
A proposta se alinha à ideia de que a educação é uma das estratégias mais eficazes para combater a desinformação, estimular a juventude e construir comunidades escolares resilientes.
Metodologia: autonomia e flexibilidade
Por ser um curso autoinstrucional, não há tutoria ou interação por chat com professores. Todas as atividades são assíncronas, permitindo que o participante estude conforme sua organização pessoal. São 20 aulas distribuídas entre vídeos, textos, materiais visuais, reflexões guiadas e sugestões de aprofundamento.
Essa metodologia amplia o alcance da formação, permitindo que educadores de diferentes regiões e realidades tenham acesso ao conteúdo em seus próprios ritmos.
Público-alvo
A formação é destinada a educadores da Educação Básica, com foco nos profissionais do Ensino Fundamental do 1º ao 9º ano, incluindo professores, gestores e funcionários de apoio das redes públicas e privadas.
Carga horária, certificação e prazos
O curso conta com:
- 60 horas de carga horária
- certificado ao final, desde que o cursista conclua todas as atividades
- tempo mínimo de 15 dias para conclusão
- tempo máximo de 45 dias
As inscrições são gratuitas e podem ser realizadas diretamente na plataforma AVAMEC.
Educação climática: uma urgência escolar
Diante de eventos climáticos cada vez mais frequentes — como enchentes, secas prolongadas, ondas de calor e perda da biodiversidade — a educação ambiental climática se torna essencial. O curso “Educomunicação e clima” surge como uma resposta direta a esse cenário, fortalecendo o papel das escolas como espaços de reflexão, conhecimento e ação.
Além de formar professores, a proposta busca mobilizar comunidades inteiras, incentivando que estudantes, famílias e instituições se envolvam na construção de ambientes mais sustentáveis e resilientes.
Inscrições abertas
Os interessados podem se inscrever diretamente na plataforma:
https://avamec.mec.gov.br/#/instituicao/seb/curso/18407/informacoes
Com mais de oito mil vagas, o curso representa uma importante política pública de formação continuada, alinhada às demandas contemporâneas e às responsabilidades socioambientais que marcam o século XXI.

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