O ministro Alexandre de Moraes apresentou voto favorável no julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF) que discute a aplicação do piso salarial nacional dos professores da educação básica como vencimento inicial da carreira. O caso é analisado no Tema 1.218 da Corte e pode impactar diretamente salários e planos de carreira de docentes em todo o país.
Segundo informações divulgadas pelo Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação do Rio de Janeiro (Sepe-RJ), Moraes acompanhou a divergência aberta pelo ministro Dias Toffoli, que defendeu que o piso nacional deve ser aplicado como vencimento-base dos profissionais do magistério público.
O julgamento ocorre em plenário virtual e foi retomado após pedido de vista apresentado por Toffoli.
Julgamento pode afetar salários de professores em todo o Brasil
O processo discute se estados e municípios podem complementar salários por meio de gratificações para atingir o piso nacional ou se o valor mínimo deve obrigatoriamente corresponder ao vencimento-base inicial da carreira docente.
A decisão tem impacto direto sobre redes estaduais e municipais de ensino, além de influenciar futuras políticas salariais da educação pública.
Em seu voto, Dias Toffoli afirmou que o piso salarial nacional dos profissionais do magistério deve ser entendido como vencimento-base, e não apenas como remuneração final composta por gratificações e adicionais.
O ministro também destacou que estados, municípios e Distrito Federal precisam observar os reajustes anuais definidos nacionalmente.
Moraes acompanha entendimento favorável aos professores
Ao seguir a divergência aberta por Toffoli, Alexandre de Moraes reforçou o entendimento defendido por sindicatos e entidades da educação de que o piso deve representar o salário inicial da carreira.
Na prática, isso significa que nenhum professor poderia iniciar a carreira recebendo abaixo do valor definido nacionalmente, mesmo que o total da remuneração seja complementado por benefícios ou gratificações.
Para representantes sindicais, a adoção do piso apenas como complemento salarial acaba limitando a valorização da carreira docente.
Relator apresentou voto considerado genérico pelo sindicato
O relator do processo, ministro Cristiano Zanin, apresentou anteriormente um parecer considerado pouco objetivo pelo Sepe-RJ.
Segundo o sindicato, o voto abre margem para interpretações diferentes sobre a aplicação prática do piso nacional nas carreiras do magistério.
A preocupação das entidades é que a ausência de definição clara permita a continuidade de modelos salariais em que parte dos profissionais recebe vencimento-base inferior ao piso, com complementação por gratificações.
Entenda a origem do caso
A ação teve início em 2020, no estado de São Paulo. Uma professora da rede estadual entrou na Justiça pedindo a equiparação do salário-base ao piso nacional do magistério.
Após perder em primeira instância, a docente venceu em segunda instância. O governo paulista então apresentou recurso extraordinário ao STF.
O estado argumenta que já existe entendimento anterior da Corte sobre o tema, relacionado a decisões de 2018 envolvendo a composição salarial dos professores.
Já a defesa da professora sustenta que a Lei do Piso Nacional do Magistério, aprovada em 2008, já estabelece que o piso corresponde ao vencimento inicial da carreira.
Debate envolve valorização da carreira docente
Segundo especialistas e representantes sindicais, a decisão do STF poderá redefinir a interpretação do piso nacional em diversas redes públicas de ensino.
Para os sindicatos, quando o piso é tratado apenas como valor mínimo da remuneração total, sem impacto sobre os níveis seguintes da carreira, ele deixa de funcionar como mecanismo de valorização profissional.
O entendimento defendido pelas entidades é que o piso deve servir como base inicial da carreira, permitindo progressões salariais conforme tempo de serviço, titulação e evolução funcional.
Julgamento segue no STF
O julgamento do Tema 1.218 segue em análise no Supremo Tribunal Federal e ainda aguarda definição final da Corte. A decisão poderá criar entendimento obrigatório para tribunais de todo o país em ações semelhantes envolvendo o piso salarial dos professores.

Siga o Conecta professores no Google Notícias 👈
Siga o canal “Conecta Professores” no WhatsApp: https://whatsapp.com/channel/0029Va9Yi4A9hXFCaTaHxH26
