Professores da rede municipal do Recife se reúnem nesta terça-feira (3), às 9h, no Pátio da Prefeitura, para mais uma rodada da mesa de negociação da campanha salarial 2026. A categoria, representada pelo Sindicato Municipal dos Profissionais de Ensino da Rede Oficial do Recife (Simpere), denuncia a proposta de parcelamento do reajuste do piso do magistério sem pagamento retroativo a janeiro.
Segundo o sindicato, a proposta apresentada pela gestão municipal divide o índice nacional de 5,4% — fixado pelo governo federal por meio de Medida Provisória — em duas parcelas: 3% a partir de julho e 2,4% em setembro, sem retroatividade. Para a entidade, a medida implica perda salarial imediata e amplia a desvalorização da carreira.
Piso do magistério: impasse sobre retroatividade
De acordo com o Simpere, a legislação municipal estabelece janeiro como data-base da categoria, o que garantiria o direito à aplicação retroativa do reajuste. A negativa da gestão em reconhecer essa retroatividade é apontada como principal foco de tensão nas negociações.
A coordenadora-geral do sindicato, Jaqueline Dornelas, afirma que a ausência de pagamento retroativo impõe prejuízo financeiro às professoras e aos professores. Outro ponto de insatisfação é o adiamento do debate sobre a reestruturação da carreira docente — reivindicação histórica da categoria. A proposta de discutir o tema em comissões futuras, sem cronograma definido, foi interpretada como tentativa de postergar mudanças estruturais.
Além disso, o sindicato critica a ausência de previsão de reajuste para gratificações da educação em 2026, como o Abono Educador, tradicionalmente atualizado com base no salário mínimo.
Prefeitura afirma que piso já está sendo aplicado
Procurada, a Prefeitura do Recife informou, por meio da Secretaria de Administração (SAD), que o índice nacional do piso do magistério já está sendo aplicado após a publicação da portaria do Ministério da Educação (MEC).
Em nota, a gestão municipal declarou que todas as professoras e professores da rede recebem o piso ou valores superiores, conforme a legislação vigente. Segundo o comunicado, as negociações seguem tratando dos demais pontos da pauta da campanha salarial dentro do processo regular de debate.
Atraso em fardamento e kits escolares
Além da pauta salarial, pais e responsáveis têm utilizado as redes sociais para relatar atraso na entrega de fardamento e kits escolares. De acordo com as queixas, mais de um mês após o início das aulas, estudantes ainda não receberam novas fardas nem itens básicos, como cadernos e lápis.
A licitação para aquisição do fardamento foi publicada em 26 de fevereiro no Diário Oficial. O processo prevê dois lotes: o primeiro, destinado da educação infantil ao Grupo V, com estimativa de 113,5 mil camisetas, 48,9 mil shorts e 15,5 mil short-saias, sob responsabilidade da empresa Danguer; o segundo, residual, voltado ao Ensino Fundamental e à Educação de Jovens e Adultos (EJA), ficará a cargo da Engaja Indústria.
No caso dos kits escolares, a Prefeitura renovou contrato com a Master Indústria e Comércio Ltda., empresa responsável pelo fornecimento no ano anterior. Entretanto, segundo informações divulgadas, ainda não há registro de liquidação dos R$ 27,04 milhões previstos para a aquisição dos materiais.
Seduc promete conclusão até o fim de março
A Secretaria de Educação do Recife (Seduc) informou que a entrega dos kits ocorre de forma escalonada desde janeiro, com conclusão prevista até o fim de março. A pasta afirma que a distribuição começou pelas turmas dos anos finais e seguirá cronograma até atender todas as etapas de ensino.
Enquanto isso, a mobilização dos professores mantém a pressão sobre a gestão municipal. A reunião desta terça-feira é vista como decisiva para definir os rumos da campanha salarial e a possibilidade de avanço nas negociações.
O impasse envolve não apenas o cumprimento do piso nacional do magistério, mas também a discussão sobre valorização da carreira, condições de trabalho e planejamento da rede municipal. Em um cenário de cobrança crescente por qualidade na educação pública, o desfecho das negociações poderá impactar diretamente o calendário e o clima nas escolas da capital pernambucana.

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