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MEC propõe reduzir aulas presenciais na licenciatura

Uma minuta em discussão no Conselho Nacional de Educação (CNE) pode alterar de forma significativa as regras da formação inicial de professores no país. O texto propõe reduzir de 50% para 40% a carga horária mínima de atividades presenciais nos cursos de licenciatura. A sugestão, segundo o próprio documento, partiu do Ministério da Educação (MEC).

A mudança ocorre pouco mais de um ano após o próprio conselho ter fixado, em 2024, a exigência de que metade da carga horária da licenciatura fosse obrigatoriamente presencial — regra frequentemente citada pelo ministro Camilo Santana como um dos marcos de sua gestão.

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O que muda na formação de professores

Atualmente, a estrutura definida pelo CNE estabelece que a carga horária total das licenciaturas — de 3,2 mil horas — deve ser distribuída da seguinte forma:

  • 50% de atividades presenciais;
  • 20% de atividades síncronas mediadas (aulas ao vivo por vídeo, por exemplo);
  • 30% de educação a distância (EAD).

Com o novo parecer em debate, a proposta intermediária sugere:

  • 40% de aulas presenciais (1.280 horas);
  • 20% de atividades síncronas mediadas (640 horas);
  • 40% de atividades em EAD (1.280 horas).

A minuta afirma que o novo desenho seria mais adequado ao perfil atual dos estudantes e argumenta que, somando as atividades presenciais e as síncronas mediadas, haveria reforço da interação direta entre docentes e alunos.

O parecer estava previsto para votação no último dia 26, mas foi retirado de pauta para análise dos conselheiros. Ainda não há nova data definida para deliberação.

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Contradição com discurso recente

A proposta gerou questionamentos porque o percentual de 50% de presencialidade vinha sendo defendido publicamente pelo MEC como avanço regulatório. Durante a apresentação do Censo Escolar, na semana passada, o ministro voltou a destacar a exigência como um marco para elevar a qualidade da formação docente.

Apesar disso, o texto em tramitação no CNE registra que a redução para 40% está alinhada a uma sugestão da Secretaria de Regulação e Supervisão da Educação Superior (Seres), vinculada ao MEC.

O debate se intensificou após a publicação, em 2025, do novo decreto que instituiu o marco regulatório da educação a distância. A norma criou a categoria de cursos “semipresenciais”, na qual as licenciaturas foram incluídas. Nesse modelo, apenas 30% das aulas precisam ser presenciais, enquanto 20% podem ser síncronas ou não, e 50% podem ocorrer totalmente a distância.

A indefinição entre as regras anteriores do CNE e o novo decreto federal abriu espaço para a discussão da proposta intermediária.

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Pressões e críticas

A presidente-executiva da organização Todos Pela Educação, Priscila Cruz, criticou a possível redução da carga horária presencial. Para ela, a qualidade da formação docente deve ser prioridade.

Segundo a dirigente, há pressão de instituições cujo modelo de negócio depende fortemente da educação a distância. Na avaliação dela, flexibilizar a exigência pode comprometer a preparação prática e pedagógica dos futuros professores.

Fontes do setor educacional afirmam que a divulgação dos resultados da Prova Nacional Docente poderá influenciar o debate no conselho. A expectativa é que cursos majoritariamente a distância apresentem desempenho inferior, o que pode reforçar argumentos pela manutenção do percentual atual de presencialidade.

Argumento do MEC: perfil dos estudantes

A minuta utiliza dados do Censo da Educação Superior de 2024 para sustentar a mudança. Segundo o levantamento, 73,1% dos estudantes de licenciatura moravam no interior, e 72,7% deles estavam matriculados em cursos na modalidade EAD.

O argumento apresentado é que a manutenção de percentuais elevados de presencialidade poderia inviabilizar polos em cidades pequenas. Sem a flexibilização, parte dos estudantes teria de se deslocar para municípios mais distantes, o que dificultaria a participação em atividades obrigatórias presenciais.

Defensores da proposta afirmam que a ampliação da oferta digital garante acesso ao ensino superior em regiões com menor infraestrutura universitária. Críticos, por outro lado, sustentam que a formação docente exige vivência pedagógica concreta, interação presencial e prática supervisionada intensiva.

O que está em jogo

O debate sobre a carga horária presencial nas licenciaturas vai além de uma disputa técnica. Trata-se de definir o modelo de formação dos futuros professores da educação básica em um cenário de expansão acelerada do ensino a distância no Brasil.

A decisão do CNE poderá impactar diretamente a qualidade da formação inicial, o perfil das instituições ofertantes e a própria organização do mercado educacional.

Enquanto o parecer não volta à pauta para votação, a discussão permanece aberta — e polarizada — entre argumentos de acesso e interiorização do ensino superior e preocupações com a qualidade pedagógica da formação docente.

O desfecho da votação deverá sinalizar qual será o equilíbrio adotado pelo país entre presencialidade e educação a distância na preparação de seus professores.

Formação de professores pode ter menos aulas presenciais

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