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Professores da educação básica terão isenção do Imposto de Renda em 2026 e ganho pode chegar a um “14º salário”

A reforma do Imposto de Renda sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve provocar um impacto direto e significativo na renda de professores da educação básica a partir de 2026. Um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) aponta que 73,5% da categoria será beneficiada com isenção total ou redução do tributo, alterando de forma concreta o orçamento mensal de milhares de docentes em todo o país.

Com a nova Lei nº 15.270/2025, a faixa de isenção total do Imposto de Renda Pessoa Física foi ampliada para rendimentos mensais de até R$ 5 mil. Além disso, a legislação estabelece descontos progressivos para quem recebe até R$ 7.350 por mês. Na prática, mais de 600 mil professores deixarão de pagar Imposto de Renda, e mais da metade da categoria passará a ser completamente isenta.

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Segundo a nota técnica do Ipea, antes da reforma apenas 19,7% dos professores da educação básica não recolhiam o imposto. Após a mudança, esse percentual sobe para 51,6%. Outros 21,9% passam a integrar a faixa de redução da alíquota. No total, cerca de 1 milhão de docentes terão aumento na renda disponível, seja pela isenção integral, seja pela diminuição do valor pago ao Fisco.

O impacto é ainda mais relevante para profissionais com salários próximos ao piso nacional do magistério, fixado em R$ 4.867,77 em 2025. Antes da reforma, esses docentes estavam sujeitos à alíquota máxima de 27,5% sobre a base tributável. Com a nova regra, deixam de pagar Imposto de Renda sobre esse rendimento.

“O ganho médio anual estimado para esse grupo é de R$ 5.079,84, o que equivale, na prática, a quase um salário adicional no ano. É como um 14º salário derivado apenas da reforma tributária”, explica Paulo Nascimento, coordenador de educação e técnico de planejamento e pesquisa do Ipea, um dos autores do estudo.

Impacto para quem tem dois vínculos

A análise também avaliou a situação de professores que acumulam mais de um vínculo empregatício, realidade comum na educação básica. Entre os docentes com apenas um vínculo e rendas mais baixas, 60,7% passam a ser totalmente isentos e 21,1% terão redução do imposto. Isso significa que 81,8% desse grupo terá ganhos diretos com a nova tabela do Imposto de Renda.

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Já entre os profissionais com múltiplos vínculos como docentes, cerca de 17,5% da categoria, 32,3% serão isentos e 26,1% terão redução do tributo. Um cenário intermediário aparece entre aqueles que acumulam a docência com outra ocupação fora da educação: 40,2% ficam isentos e 20,9% terão desconto no imposto devido.

Diferenças entre rede pública e privada

O estudo do Ipea também revela diferenças expressivas entre professores das redes pública e privada. Embora a maior parte dos vínculos esteja concentrada no setor público, é na rede privada que a ampliação da faixa de isenção tem efeito mais intenso. Após a reforma, 82,2% dos docentes de escolas particulares estarão isentos do Imposto de Renda, contra 42,5% na rede pública.

A explicação está na estrutura salarial. Enquanto o setor público apresenta remunerações médias mais elevadas e homogêneas, a rede privada concentra jornadas parciais, maior dispersão salarial e salários médios mais baixos. Com isso, um contingente maior de professores privados se enquadra no novo limite de isenção.

Apesar do efeito positivo, os pesquisadores alertam para um problema estrutural. “Os resultados mostram efeitos positivos da reforma, mas também reforçam a necessidade de maior valorização da carreira docente, especialmente na rede privada, onde muitos profissionais recebem abaixo do piso nacional”, destaca Adriano Senkevics, técnico de planejamento e pesquisa do Ipea e coautor do estudo.

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Estados mais beneficiados

Regionalmente, os estados com maior proporção de professores isentos após a reforma são Alagoas, Minas Gerais, Paraíba, Tocantins e Roraima, todos com mais de 60% dos docentes livres do Imposto de Renda. O dado indica que, nessas unidades federativas, grande parte do magistério possui rendimentos anuais abaixo do novo teto de isenção.

No extremo oposto estão estados como Amapá, Distrito Federal, Pará e Goiás, onde percentuais próximos ou superiores a 40% dos professores permanecem na alíquota máxima. O Distrito Federal se destaca: 63,4% dos docentes continuam sujeitos à taxa de 27,5%, reflexo de salários médios mais elevados.

Como o estudo foi feito

Para chegar aos resultados, os pesquisadores utilizaram dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais), base administrativa que reúne informações sobre vínculos formais de trabalho no Brasil. Os salários anuais foram calculados a partir da soma das remunerações mensais de 2022, corrigidas pela inflação medida pelo INPC até outubro de 2025. O décimo terceiro salário foi excluído, assim como deduções legais, como gastos com saúde ou dependentes.

Os docentes foram organizados em três faixas de rendimento anual: isentos, com redução de alíquota e sujeitos à alíquota máxima. A reforma elevou o limite anual de isenção de R$ 28.467,20 para R$ 60 mil, ampliando de forma significativa o número de professores beneficiados.

A conclusão do Ipea é clara: a nova tabela do Imposto de Renda representa um alívio financeiro expressivo para a maioria dos professores da educação básica. Ainda assim, o estudo reforça que a medida, embora importante, não substitui políticas estruturais de valorização salarial e fortalecimento da carreira docente no Brasil.

Isenção do IR para professores

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7 comentários em “Professores da educação básica terão isenção do Imposto de Renda em 2026 e ganho pode chegar a um “14º salário””

  1. Inúmeros professores possuem dois cargos para poder sobreviver, e recebem pouco mais de 5 mil de salário, sendo assim a maioria com certeza não fará parte dessa isenção. O que o professor precisa é de ter a isenção do IR à partir da própria categoria, independentemente de acúmulo de cargo, além de aumento real e significativo do Piso do Magistério,isso sim, seria valorizar o professor e o magistério como um todo.

    1. Exatamente isso! E essa ideia de que quiseram beneficiar professores é uma falácia, não houve até agora nenhuma ação desse governo que contemplasse a categoria dos docentes, o fato da maioria ser contemplada por essa isenção dos 5 mil só confirma que a classe ganha muito mal igualmente a maioria dos trabalhadores do país que só beneficia políticos.

  2. Isso serve para deixar evidente o quanto o professor é mal remunerado no Brasil. Isso tudo levando em consideração que a maioria dos professores tem dois vínculos e mesmo assim vão conseguir a isenção no IRPF. Isso tem que ser visto como vergonha para o Brasil e não como exaltação para o governo. Pagar imposto de renda não é o problema do professor, mas sim o baixo salário que mesmo com os dois empregos não ultrapassa míseros 6.000R$ e agora querem vender a ideia que o professor está sendo beneficiado. Beneficiado por ganhar mal, talvez essa seja a idéia do governo. Outro fato de descaso também é a carteira nacional docente que ao meu ver funciona mais como um chaveirinho do que como valorização do professor. Quer valorizar o professor aumente o salário para que esse profissional não precise buscar outras profissões para pode sobreviver em um país que tem uma carga tão alta de imposto. Não tente ludibriar que recebendo mal a ponto de ser isento no imposto mesmo com dois trabalho é uma valorização para o professor. Valorização é um salário digno e não essa ideia que o MEC quer vender. Isento sim! Más por ganharem muito MAL!!!

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