A valorização dos profissionais da educação voltou ao centro do debate nacional com a confirmação de que uma parcela expressiva dos professores da educação básica deverá ficar isenta do Imposto de Renda a partir de 2026. A mudança decorre da reforma do Imposto de Renda sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e já começa a impactar diretamente a folha de pagamento dos docentes, especialmente no salário de janeiro de 2026.
Durante audiência pública na Comissão de Educação da Câmara dos Deputados, representantes do governo federal indicaram que cerca de 65% dos professores da educação básica devem ser totalmente isentos do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF). O dado é reforçado por estudo técnico do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que aponta que 73,5% da categoria será beneficiada, seja por isenção total, seja por redução do valor descontado mensalmente.
Na prática, a nova Lei nº 15.270/2025 ampliou a faixa de isenção do Imposto de Renda para rendimentos mensais de até R$ 5 mil, além de criar descontos progressivos para salários de até R$ 7.350. Com isso, mais de 600 mil professores deixarão de pagar o tributo, e mais da metade da categoria passará a ter o salário bruto integralmente preservado, sem desconto de IR.
Ganho real no bolso do professor
Os números revelam uma mudança significativa. Antes da reforma, apenas 19,7% dos professores da educação básica estavam totalmente isentos do Imposto de Renda. Com a nova legislação, esse percentual sobe para 51,6%. Outros 21,9% passam a integrar a faixa de redução da alíquota, o que também representa aumento direto da renda líquida.
No total, cerca de 1 milhão de docentes terão melhora concreta no orçamento mensal. O impacto é ainda mais relevante para quem recebe próximo ao piso nacional do magistério, fixado em R$ 4.867,77 em 2025. Até então, esses profissionais estavam sujeitos à alíquota máxima de 27,5% sobre a base tributável. A partir de 2026, deixam de pagar Imposto de Renda sobre esse valor.
Segundo o Ipea, o ganho médio anual estimado para esse grupo chega a R$ 5.079,84. Na prática, trata-se de um valor equivalente a quase um salário adicional ao longo do ano, frequentemente comparado por especialistas a um “14º salário”, gerado exclusivamente pela reforma tributária.
Atenção redobrada ao contracheque de janeiro
Com a entrada em vigor da nova tabela, especialistas e entidades da educação recomendam que os professores confiram com atenção o contracheque de janeiro de 2026. Em alguns casos, ajustes nos sistemas de folha de pagamento podem demorar a ser aplicados, o que pode resultar em desconto indevido do Imposto de Renda.
Para verificar se o desconto foi corretamente retirado, o professor deve observar alguns pontos básicos no contracheque:
- Identificar a linha referente ao Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF);
- Conferir o valor do salário bruto mensal;
- Verificar se há desconto de IR mesmo com rendimento igual ou inferior a R$ 5 mil;
- Comparar o salário líquido com o dos meses anteriores para identificar eventuais diferenças.
Caso o desconto de Imposto de Renda ainda apareça de forma indevida, o primeiro passo é procurar o setor de recursos humanos da rede de ensino — municipal, estadual ou privada — e solicitar esclarecimentos ou correção. Se necessário, o ajuste pode ser feito nos meses seguintes ou compensado posteriormente.
Professores com dois vínculos também sentem os efeitos
O estudo do Ipea também analisou o impacto da nova regra sobre professores que acumulam mais de um vínculo empregatício, realidade comum na educação básica brasileira. Entre os docentes com apenas um vínculo e rendimentos mais baixos, 60,7% passam a ser totalmente isentos, enquanto 21,1% terão redução do imposto. Isso significa que mais de 80% desse grupo terá ganhos diretos com a nova tabela.
Entre os profissionais com múltiplos vínculos exclusivamente na docência, cerca de 17,5% da categoria, 32,3% serão isentos e 26,1% terão redução do tributo. Já entre aqueles que conciliam a docência com outra atividade profissional, 40,2% ficarão isentos e 20,9% terão desconto no valor do imposto devido.
Mudança concreta na valorização docente
Embora a isenção do Imposto de Renda não substitua políticas estruturais de valorização salarial, especialistas avaliam que a medida representa um alívio financeiro relevante e imediato para milhares de professores. Em um cenário de custo de vida elevado e desafios históricos da carreira docente, a redução da carga tributária passa a ter efeito direto no dia a dia desses profissionais.
Por isso, acompanhar o contracheque, entender as novas regras e cobrar a correta aplicação da legislação são passos fundamentais para garantir que o direito conquistado se traduza, de fato, em mais renda no bolso do professor a partir de 2026.

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