Na segunda-feira, 14 de abril, o governo dos Estados Unidos anunciou o congelamento de aproximadamente US$ 2,3 bilhões (equivalentes a R$ 13,1 bilhões) em subsídios e contratos com a Universidade de Harvard. A decisão ocorre após a universidade se recusar a cumprir uma série de exigências impostas pela administração de Donald Trump, que incluem a suspensão de programas de inclusão e equidade, além de mudanças nas políticas de admissão e contratação.
Exigências do Governo Trump para Harvard
Em uma carta enviada à universidade na sexta-feira, 11 de abril, o governo de Trump exigiu reformas abrangentes na administração da instituição. Entre as demandas estavam a implementação de políticas baseadas exclusivamente em mérito para a admissão e contratação, a realização de uma auditoria com estudantes, professores e dirigentes, e até a proibição do uso de máscaras — uma medida considerada como um ataque aos manifestantes pró-Palestina. O governo também acusou as manifestações contra a guerra na Faixa de Gaza, em 2024, de serem impulsionadas por antissemitismo.
Harvard Defende a Liberdade Acadêmica
O presidente da universidade, Alan Garber, se posicionou contra as exigências, afirmando que elas violam os direitos garantidos pela Primeira Emenda da Constituição dos EUA e ultrapassam os limites legais do governo sob o Título VI, que proíbe discriminação com base em raça, cor ou origem nacional. “Nenhum governo — independente do partido no poder — deve ditar o que universidades privadas podem ensinar, quem podem admitir ou contratar, e quais áreas de estudo e pesquisa podem seguir”, escreveu Garber em sua carta.
Garber também destacou que os objetivos do governo Trump não serão alcançados por meio de imposições de poder, que tentam controlar o ensino e a aprendizagem na universidade. Ele afirmou: “A tarefa de enfrentar nossas falhas e incorporar nossos valores é nossa responsabilidade como comunidade acadêmica.”
Pressão em Outras Universidades e Reações Legais
O congelamento de recursos não é uma medida isolada. Harvard está entre várias universidades da Ivy League alvo de uma campanha de pressão do governo de Trump. Já houve a suspensão de financiamentos federais para instituições como a Universidade da Pensilvânia, Brown e Princeton, como parte de uma estratégia para forçar adesão à agenda política da administração.
Em resposta, um grupo de ex-alunos da universidade escreveu uma carta pedindo à administração de Harvard que contestasse legalmente as exigências, defendendo que elas ameaçam a liberdade acadêmica e a autonomia universitária. “Harvard defendeu a integridade e os valores que sustentam o ensino superior”, afirmou Anurima Bhargava, uma das signatárias da carta.
A medida do governo também gerou protestos em Harvard e Cambridge, e uma ação judicial foi movida pela Associação Americana de Professores Universitários, argumentando que os cortes de financiamento foram feitos de maneira ilegal, sem a devida notificação à universidade ou ao Congresso.
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