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Universidade Federal abre 60 vagas para licenciatura intercultural indígena; inscrições vão até 20 de setembro

A Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) abriu um processo seletivo específico para cursos de Licenciatura em Educação Intercultural Indígena, destinados a professores e integrantes das comunidades da Terra Indígena Capoto-Jarina, em Mato Grosso. Ao todo, são 60 vagas gratuitas, distribuídas entre três cursos de formação superior.

A iniciativa é realizada em parceria com o Ministério da Educação (MEC), por meio da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização de Jovens e Adultos, Diversidade e Inclusão (Secadi), e está vinculada ao Programa de Apoio à Formação Superior e Licenciaturas Indígenas (Prolind).

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As inscrições são gratuitas e ficam abertas até 20 de setembro de 2026.

Quais cursos estão disponíveis?

As 60 vagas serão distribuídas igualmente entre três licenciaturas:

  • 20 vagas para Educação Intercultural Indígena – Pedagogia;
  • 20 vagas para Educação Intercultural Indígena – Linguagem e Humanidades;
  • 20 vagas para Educação Intercultural Indígena – Ciências da Natureza e Matemática.

O edital determina que eventuais vagas remanescentes de um curso não serão redistribuídas para as demais formações.

A seleção é destinada prioritariamente a jovens e adultos provenientes das escolas das comunidades indígenas Mẽbêngôkre/Kayapó, Tapayuna, Trumai e Yudjá, que integram a Terra Indígena Capoto-Jarina.

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A prioridade será dada aos candidatos que ainda não possuem diploma de graduação e que já atuam como professores nas escolas das aldeias do território.

Formação será realizada de acordo com a realidade das comunidades

Um dos diferenciais da nova licenciatura é a organização do curso pela pedagogia da alternância, modelo que combina períodos de formação acadêmica com atividades desenvolvidas junto à comunidade.

A graduação terá 3.344 horas, distribuídas em no mínimo oito e no máximo 12 semestres.

As atividades presenciais serão realizadas tanto no campus da UFMT, em Cuiabá, quanto em etapas descentralizadas nas aldeias centrais da Terra Indígena Capoto-Jarina. A organização dessas atividades será definida em conjunto com as lideranças locais.

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O calendário acadêmico também levará em consideração a rotina das comunidades e das escolas indígenas. A previsão é que os componentes curriculares teóricos e práticos sejam concentrados em períodos especiais, preferencialmente nos meses de janeiro, julho e dezembro.

Estágio será realizado nas escolas indígenas

A proposta busca aproximar a formação universitária da realidade vivenciada pelos estudantes e pelas comunidades.

Por isso, o estágio curricular supervisionado terá 400 horas e será realizado diretamente nas escolas indígenas de origem dos alunos.

As comunidades também deverão participar do acompanhamento pedagógico dos cursos, por meio de atividades de extensão e mecanismos de autoavaliação institucional.

A estrutura foi pensada para contribuir com a formação de educadores que já atuam nas escolas indígenas, articulando conhecimentos científicos com os processos próprios de ensino e aprendizagem de cada comunidade.

Quem pode participar da seleção?

O processo seletivo é direcionado a candidatos provenientes das comunidades indígenas que fazem parte da Terra Indígena Capoto-Jarina.

A primeira etapa da seleção será eliminatória e envolverá análise documental, além da comprovação de residência ou atuação no território, pertencimento étnico, vínculo com a educação escolar indígena local e conclusão do ensino médio.

Na segunda etapa, de caráter classificatório, serão avaliados o rendimento escolar e a carta de intenção apresentada pelo candidato.

Também serão considerados aspectos relacionados ao envolvimento com a comunidade e à atuação na educação escolar indígena.

Os critérios foram discutidos e validados previamente em assembleia geral com professores e lideranças da Aldeia Piaraçu, realizada em abril de 2026.

Documentos necessários para inscrição

Entre os documentos previstos no edital estão:

  • Documento de identificação;
  • Certificado de conclusão do ensino médio ou equivalente;
  • Histórico escolar;
  • Comprovante ou declaração de residência ou atuação na Terra Indígena Capoto-Jarina, assinada por liderança da aldeia;
  • Carta de intenção.

Os candidatos devem conferir todas as exigências estabelecidas no edital antes de realizar a inscrição.

Inscrições são gratuitas até 20 de setembro

Os interessados têm até 20 de setembro de 2026 para participar do processo seletivo.

Acesse aqui o edital oficial e confira todas as orientações para inscrição na UFMT.

O cronograma prevê a divulgação da lista de inscrições deferidas e indeferidas em 22 de setembro. O resultado preliminar deverá ser publicado em 25 de setembro, enquanto o resultado final e a homologação estão previstos para 30 de setembro de 2026.

Formação atende a uma reivindicação histórica

A oferta dos cursos representa uma iniciativa voltada à ampliação do acesso à educação superior dentro dos territórios indígenas.

A proposta foi apresentada pelo MEC e pela UFMT em junho, durante uma visita à Aldeia Piaraçu, quando representantes das instituições discutiram com lideranças e educadores locais a criação de uma formação superior voltada aos professores indígenas.

A iniciativa está relacionada à Política Nacional de Educação Escolar Indígena nos Territórios Etnoeducacionais (PNEEI-TEE), que estabelece diretrizes para uma educação escolar indígena multilíngue, específica, diferenciada e intercultural.

Ao levar parte das atividades para o próprio território e adaptar o calendário às necessidades das comunidades, a UFMT busca reduzir uma das principais barreiras enfrentadas por estudantes indígenas: a necessidade de deixar suas comunidades para acessar o ensino superior.

Para os candidatos que atendem aos critérios do edital, a seleção representa uma oportunidade de ingressar gratuitamente em uma licenciatura e obter formação superior voltada à educação intercultural indígena.

Vagas para licenciatura intercultural

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