Um levantamento recente sobre remuneração docente nas redes estaduais de ensino revelou grandes diferenças salariais entre os estados brasileiros. Embora todos já cumpram o piso nacional do magistério, o salário inicial pago ao professor pode variar até 2,7 vezes dependendo da unidade da federação.
Os dados mostram que o estado com maior remuneração inicial para professores é Mato Grosso do Sul, enquanto Rio de Janeiro aparece com o menor salário de entrada entre as redes estaduais.
A pesquisa também indica que, em média, um professor brasileiro inicia a carreira com cerca de R$ 6,2 mil mensais, valor equivalente a aproximadamente quatro salários mínimos e superior ao piso nacional definido por lei nos últimos anos.
Mato Grosso do Sul lidera ranking de salário inicial
Segundo o levantamento, a rede estadual de ensino de Mato Grosso do Sul oferece o maior salário inicial do país para professores, com cerca de R$ 13 mil mensais para profissionais em início de carreira.
Na outra ponta do ranking aparece o estado do Rio de Janeiro, onde o salário inicial corresponde praticamente ao valor mínimo definido pela legislação nacional, cerca de R$ 4,8 mil.
Já o estado de São Paulo paga aproximadamente R$ 5,5 mil para professores iniciantes. Apesar disso, a rede paulista se destaca pela remuneração mais alta no fim da carreira.
A rede estadual paulista é também a maior do Brasil, com cerca de 200 mil professores, enquanto Mato Grosso do Sul possui aproximadamente 21 mil docentes.
Salários podem chegar a mais de R$ 26 mil no fim da carreira
A pesquisa também analisou o teto salarial que os professores podem atingir ao longo da carreira nas redes estaduais.
Nesse aspecto, Mato Grosso do Sul novamente aparece na liderança, com remuneração final que pode chegar a R$ 26,5 mil.
São Paulo ocupa a segunda posição nesse critério, com salários que podem alcançar R$ 14,4 mil no final da carreira docente.
Esses valores não incluem gratificações ou bonificações eventuais, considerando apenas a estrutura básica de carreira.
Diferença salarial ao longo da carreira
O estudo também analisa um indicador chamado amplitude remuneratória, que mede a diferença percentual entre o salário inicial e o valor pago ao professor após cerca de 15 anos de carreira ou no final da trajetória profissional.
A média nacional dessa diferença é de aproximadamente 49%, mas há estados onde a evolução salarial é muito pequena.
Nos estados do Piauí e de Santa Catarina, por exemplo, a diferença salarial ao longo da carreira é inferior a 3%, o que significa que o professor praticamente mantém o mesmo salário durante grande parte da vida profissional.
Por outro lado, estados como Tocantins, Amapá, Ceará, São Paulo e Mato Grosso do Sul apresentam crescimento salarial entre 70% e 100%, patamar semelhante ao observado em países com sistemas educacionais considerados de alto desempenho, como Canadá, Luxemburgo, Áustria e Japão.
Salário é fator importante para atrair professores
Especialistas em educação afirmam que uma boa remuneração inicial, acompanhada de crescimento salarial ao longo da carreira, é fundamental para atrair novos talentos para a docência.
Pesquisas internacionais indicam que os primeiros 15 anos de carreira são decisivos para a permanência do professor na profissão. Sistemas educacionais considerados eficientes costumam oferecer evolução salarial significativa nesse período.
No Brasil, entretanto, muitos estados ainda concentram os maiores salários apenas no final da carreira, o que pode desestimular jovens profissionais a ingressarem no magistério.
Professor tem grande impacto no aprendizado dos alunos
Um estudo realizado por pesquisadores da Fundação Getulio Vargas com apoio do Instituto Península mostrou que o professor é responsável por quase 60% do desempenho dos alunos no ensino fundamental.
Segundo a pesquisa, o impacto do professor na aprendizagem é maior do que fatores como:
- número de alunos por turma
- escolaridade dos pais
- acesso à internet nas escolas
- características socioeconômicas da região
Os resultados reforçam a importância de políticas públicas voltadas à valorização e qualificação docente.
Debate sobre avaliação e progressão na carreira
O relatório também aponta que a maioria dos estados ainda utiliza critérios tradicionais para progressão salarial, como tempo de serviço e titulação acadêmica.
Especialistas defendem que sistemas de avaliação de desempenho poderiam ajudar a valorizar professores com melhores resultados em sala de aula. Atualmente, embora 22 redes estaduais prevejam algum tipo de avaliação docente, apenas 12 possuem instrumentos regulamentados de avaliação profissional.
Na prática, muitos estados ainda utilizam formulários administrativos que avaliam aspectos burocráticos, com pouca relação direta com o trabalho pedagógico.
Secretários de educação criticam comparações entre estados
Em nota oficial, o Conselho Nacional de Secretários de Educação afirmou que comparações diretas entre salários estaduais devem ser feitas com cautela.
Segundo a entidade, fatores como realidade fiscal, legislação local e estrutura administrativa podem influenciar os valores pagos em cada rede de ensino.
Secretários estaduais também demonstraram preocupação com a divulgação de rankings salariais, especialmente em períodos eleitorais, quando o tema costuma ganhar maior repercussão pública.
Piso nacional dos professores
O piso salarial nacional do magistério é definido pela legislação brasileira e serve como referência mínima para estados e municípios.
O valor é calculado com base na evolução do financiamento educacional do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb), principal mecanismo de financiamento da educação pública no país.
Recentemente, o governo federal alterou o modelo de reajuste e determinou que o piso seja atualizado pela inflação. Em 2026, o valor foi reajustado em cerca de 5%, chegando a R$ 5.130,63.
A mudança busca trazer maior previsibilidade orçamentária para estados e municípios, que são responsáveis pelo pagamento dos professores da educação básica.
Valorização docente ainda é desafio
Apesar do cumprimento do piso nacional em todas as redes estaduais, especialistas afirmam que a valorização da carreira docente continua sendo um desafio no Brasil.
Além da remuneração, fatores como condições de trabalho, organização da jornada, formação continuada, estabilidade institucional e reconhecimento social da profissão também são considerados essenciais para fortalecer a carreira e melhorar a qualidade da educação pública.

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