Um projeto de lei em análise na Câmara dos Deputados pode mudar de forma significativa a rotina de trabalho de professores da educação básica em todo o Brasil. A proposta prevê a redução da jornada máxima de referência do piso salarial nacional do magistério público para até 30 horas semanais, sem corte de salário e sem prejuízo de direitos já garantidos.
O texto é de autoria da deputada Professora Luciene Cavalcante (Psol-SP) e altera a Lei do Piso Salarial do Magistério, que atualmente estabelece como referência a jornada de 40 horas semanais.
O que muda com a proposta de jornada de 30 horas para professores
Hoje, a Lei nº 11.738/2008 determina o piso salarial nacional do magistério com base em uma jornada de até 40 horas semanais. O projeto de lei em tramitação propõe que essa jornada de referência seja reduzida para 30 horas.
Redução sem perda salarial
Um dos pontos centrais da proposta é que a redução da carga horária ocorreria sem redução da remuneração e sem retirada de direitos trabalhistas.
Na prática, isso significa que o piso nacional continuaria sendo aplicado, mas com uma jornada menor, o que representaria um avanço na valorização da carreira, segundo defensores da medida.
Quem seria beneficiado
O projeto estabelece que a regra se aplicaria a todas as etapas e modalidades da educação básica, incluindo:
Profissionais em sala de aula
- Docentes da educação infantil
- Professores do ensino fundamental
- Professores do ensino médio
Profissionais de suporte pedagógico
A proposta também abrange funções consideradas essenciais no cotidiano escolar, como:
- direção e administração escolar
- planejamento e inspeção
- supervisão, orientação e coordenação educacional
Temporários e terceirizados
Outro ponto relevante é que o texto menciona expressamente a inclusão de profissionais contratados em regime temporário e terceirizados, o que amplia o alcance da medida dentro das redes públicas.
Saúde mental e adoecimento docente entram no centro do debate
A justificativa da autora do projeto se apoia em um tema recorrente nas redes públicas de ensino: o adoecimento físico e mental provocado pela sobrecarga de trabalho.
Segundo a deputada, a carga horária excessiva está associada a transtornos mentais relacionados ao trabalho, além de outras condições agravadas por jornadas longas, acúmulo de turmas e falta de tempo adequado para planejamento.
Por que a jornada menor pode impactar a qualidade do ensino
Defensores da proposta argumentam que a redução para 30 horas pode permitir mais equilíbrio entre o tempo de sala de aula e o tempo necessário para atividades como:
- preparação de aulas
- correção de avaliações
- reuniões pedagógicas
- acompanhamento individual de estudantes
Crise na carreira docente e risco de apagão de professores
O projeto também se conecta com um alerta cada vez mais presente no debate educacional: o risco de falta de professores no futuro.
A deputada cita dados que apontam taxas de abandono em cursos de licenciatura de até 58%. O texto também menciona projeções que indicam que o Brasil pode enfrentar um déficit de cerca de 235 mil professores até 2040, caso a tendência continue.
Carreira mais atrativa como estratégia
Para a autora, reduzir a jornada sem reduzir salário seria uma forma direta de:
- tornar a profissão mais atrativa
- incentivar a permanência na carreira
- diminuir a evasão de licenciaturas
- reduzir afastamentos por adoecimento
Próximos passos: quando a proposta pode virar lei?
O projeto ainda está em fase inicial e será analisado pelas comissões da Câmara dos Deputados. Caso seja aprovado, seguirá para votação no Senado Federal.
Para virar lei, a medida precisa ser aprovada nas duas Casas e sancionada pela Presidência da República.
O que professores devem acompanhar
Enquanto a proposta tramita, especialistas recomendam que profissionais da educação acompanhem:
- a tramitação do projeto nas comissões
- eventuais substitutivos e mudanças no texto
- prazos e movimentações no Senado, caso avance
Proposta reacende debate sobre valorização e condições de trabalho
A redução da jornada semanal para 30 horas sem perda salarial surge como uma das propostas mais relevantes do ano para o magistério público. Além de discutir valorização, o texto coloca no centro o impacto da carga horária na saúde dos docentes e na permanência na carreira.
Se avançar, o projeto pode redefinir parâmetros do piso nacional do magistério e influenciar diretamente políticas salariais e de jornada nas redes estaduais e municipais.

Siga o Conecta professores no Google Notícias 👈
Siga o canal “Conecta Professores” no WhatsApp: https://whatsapp.com/channel/0029Va9Yi4A9hXFCaTaHxH26
