O Brasil passa a contar com um novo marco legal voltado à valorização do magistério e ao enfrentamento da escassez de docentes nas escolas públicas. Publicada no Diário Oficial da União nesta terça-feira (13/01), a Lei nº 15.344/2026 institui a Política Nacional de Indução à Docência na Educação Básica, conhecida como Mais Professores para o Brasil, e promove mudanças significativas na forma de ingresso, permanência e valorização da carreira docente.
A nova legislação estabelece um conjunto de medidas estruturantes que incluem a criação de bolsas para estudantes de licenciatura, apoio financeiro a professores em áreas com carência, a implantação de uma prova nacional para concursos públicos e o reforço à obrigatoriedade do cumprimento do piso salarial do magistério. O objetivo central é tornar a profissão mais atrativa, reduzir a falta de professores e fortalecer a educação básica em todo o país.
Bolsas para atrair e manter futuros professores
Um dos principais eixos da política é a oferta de bolsas para estudantes com alto desempenho no ensino médio que ingressarem em cursos presenciais de licenciatura. A proposta busca garantir que esses alunos possam se dedicar integralmente à formação acadêmica, incluindo estágio supervisionado e atividades pedagógicas obrigatórias, reduzindo a evasão e elevando a qualidade da formação inicial.
Em contrapartida, os beneficiários deverão atuar na rede pública de ensino após a conclusão do curso, contribuindo diretamente para o suprimento de professores nas escolas de educação básica. A medida é vista como estratégica para enfrentar o déficit histórico de docentes, especialmente em disciplinas como matemática, ciências e física.
Incentivo a licenciados e bacharéis
A lei também amplia o alcance da política ao prever bolsas para licenciados e bacharéis com formação pedagógica que aceitem lecionar em regiões e áreas com comprovada carência de professores. Nesses casos, os profissionais deverão cursar uma pós-graduação voltada à docência durante o período de concessão da bolsa, garantindo alinhamento entre prática pedagógica e formação continuada.
A iniciativa busca atrair profissionais qualificados para localidades mais vulneráveis, reduzindo desigualdades regionais e fortalecendo o acesso à educação de qualidade em todo o território nacional.
Prova nacional e mudanças nos concursos
Outro ponto central da Lei nº 15.344/2026 é a criação de uma prova nacional para o ingresso na carreira docente. A avaliação deverá servir como referência para concursos públicos realizados por estados, municípios e pelo Distrito Federal, estimulando seleções mais frequentes e padronizadas.
Com isso, o governo pretende agilizar os processos de contratação, reduzir a dependência de contratos temporários e garantir maior transparência e equidade na seleção de professores para o magistério público.
Reforço ao piso salarial e combate à precarização
A política Mais Professores para o Brasil também pressiona as redes públicas de ensino a cumprir o piso salarial nacional do magistério e a reduzir a contratação precária de docentes. O descumprimento do piso e o excesso de vínculos temporários são apontados como fatores que desestimulam a permanência na carreira e contribuem para a evasão profissional.
Ao reforçar a valorização salarial e a estabilidade, a nova lei busca tornar a carreira docente mais atrativa e sustentável ao longo do tempo, especialmente para os jovens que avaliam ingressar na profissão.
Resposta à falta de professores
A criação da política ocorre em um contexto de alerta sobre a falta de professores no Brasil. Estudos recentes indicam que o país pode enfrentar um apagão docente nas próximas décadas, impulsionado pelo envelhecimento da categoria, pela evasão nos cursos de licenciatura e pelo desinteresse dos jovens pela profissão.
Ao combinar incentivos financeiros, mudanças nos processos de seleção e fortalecimento das condições de trabalho, o programa Mais Professores para o Brasil surge como uma resposta estruturada a esse desafio histórico.
Um novo horizonte para a docência
A Lei nº 15.344/2026 representa uma tentativa de reposicionar a carreira docente como estratégica para o desenvolvimento do país. Ao investir na formação, na valorização e no acesso mais justo à profissão, o governo aposta que será possível fortalecer a educação básica e garantir professores qualificados em sala de aula.
Mais do que criar bolsas ou provas, a nova política sinaliza uma mudança de visão: enfrentar a crise de professores exige ações integradas, de longo prazo, capazes de devolver atratividade, reconhecimento e dignidade à carreira docente no Brasil.

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Se não mudar a a lei referente à aposentadoria de professores e professoras, voltar 50 anos para mulher e 55 para homens, continuará faltando professores. Irão se formar com a bolsa mais professores, trabalharão algum tempo na docência enquanto investirão em outra graduação e assim que concluirem a 2ª graduação em outra área, deixarão a sala de aula. Uma das poucas coisas que era atrativo da profissão docente era a aposentadoria especial e fizeram o favor de mexer nisso em 2019.