A possibilidade de um reajuste inferior a 1% no piso salarial nacional dos professores da educação básica tem acendido o sinal de alerta no Congresso Nacional. Em pleno ano eleitoral, parlamentares ligados à pauta da educação avaliam que a correção prevista não cumpre o papel de valorização da carreira docente e pode aprofundar perdas salariais acumuladas nos últimos anos.
A principal explicação para o percentual reduzido está na queda do Valor Anual por Aluno (VAAF), indicador que serve de base para o cálculo do reajuste do piso do magistério. Pela Lei nº 11.738/2008, conhecida como Lei do Piso, o aumento anual do salário dos professores é definido a partir da variação do VAAF de um ano para o outro — neste caso, da comparação entre os dados de 2024 e 2025. Com o crescimento mais tímido do indicador, o resultado foi um reajuste considerado insuficiente por educadores e representantes políticos.
Apreensão no Congresso
Presidente da Frente Parlamentar Mista da Educação, o deputado Rafael Brito (MDB-AL) afirmou que o setor está apreensivo com a possibilidade de um reajuste tão baixo em 2026. Segundo ele, a categoria vinha registrando ganhos reais nos últimos três anos, o que elevou a expectativa de que, ao menos, a inflação fosse recomposta no próximo exercício.
“Vir abaixo da inflação não é correto”, afirmou o parlamentar, ao destacar que o piso salarial tem a função de proteger a remuneração mínima dos profissionais da educação básica em todo o país. Para Brito, um reajuste inferior à inflação representa, na prática, perda de poder de compra e desvalorização do trabalho docente.
Diálogo com o MEC e alternativas em debate
Diante do cenário, o deputado informou que já procurou o ministro da Educação, Camilo Santana, para expor a preocupação do segmento. Na avaliação da Frente Parlamentar, existem instrumentos legislativos que podem ser utilizados para evitar um reajuste tão baixo, entre eles a edição de uma medida provisória que estabeleça um índice maior de correção.
A expectativa é de que o Ministério da Educação discuta o tema com a equipe econômica do governo nas próximas semanas. O índice oficial de reajuste do piso do magistério deve ser anunciado em fevereiro, o que mantém professores, gestores e parlamentares atentos aos desdobramentos.
Ano eleitoral amplia a pressão
O fato de 2026 ser um ano eleitoral aumenta a pressão política em torno do tema. O piso do magistério impacta diretamente milhões de professores da educação infantil, do ensino fundamental e do ensino médio, além de influenciar as finanças de estados e municípios, responsáveis pelo pagamento da maior parte da folha salarial da educação básica.
Para parlamentares, um reajuste muito baixo pode gerar desgaste político e social, especialmente em um contexto de debates sobre valorização profissional, qualidade do ensino e cumprimento do Plano Nacional de Educação.
Função do piso em debate
Em nota, a Frente Parlamentar reforçou que acompanha de perto as discussões técnicas e institucionais sobre o reajuste e reiterou a disposição para colaborar na construção de soluções. Segundo o comunicado, o Piso Nacional do Magistério deve cumprir efetivamente sua função de garantir proteção à remuneração dos profissionais da educação, com previsibilidade, justiça e respeito ao trabalho docente.
Enquanto o governo finaliza os cálculos e avalia possíveis alternativas, a projeção de um reajuste inferior a 1% mantém o tema no centro do debate educacional e político, evidenciando os desafios de conciliar regras fiscais, financiamento da educação e valorização dos professores no Brasil.

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