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MEC abre inscrições para curso gratuito online de Matemática Antirracista e oferece certificado

O Ministério da Educação, por meio da Secretaria de Educação Básica, abriu as inscrições para o curso gratuito e totalmente online de Matemática Antirracista. A formação, ofertada em parceria com a Fundação Itaú e hospedada na plataforma AVAMEC, tem como objetivo capacitar profissionais da educação e demais interessados para integrar práticas pedagógicas que enfrentem o racismo estrutural no ensino da matemática. A iniciativa reforça o compromisso do Ministério da Educação com políticas educacionais voltadas à equidade racial e à formação continuada de docentes.

Ao todo, estão disponíveis 4.564 vagas, que serão preenchidas por ordem de inscrição. Embora seja voltado prioritariamente a professores de matemática da educação básica, o curso é aberto ao público em geral. Qualquer pessoa interessada pode se inscrever no link disponibilizado na plataforma AVAMEC. Os participantes que concluírem todos os módulos dentro do prazo e forem aprovados receberão certificado gratuito.

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Estrutura da formação

Com carga horária total de 10 horas, o curso está organizado em três módulos principais. Cada um deles aborda perspectivas teóricas e práticas sobre matemática, educação e enfrentamento do racismo no ambiente escolar. A proposta pedagógica destaca a interseção entre história, cultura afro-brasileira, avaliação e estratégias didáticas para um ensino mais inclusivo.

A seguir, confira um panorama dos conteúdos.

Módulo 1 – Introdução e fundamentos

O primeiro módulo apresenta noções basilares sobre como a matemática se manifesta nas diferentes esferas sociais. O conteúdo busca desconstruir a ideia de que a disciplina é totalmente neutra ou distante de questões estruturais. O curso destaca que, embora os números e operações sigam regras definidas, o modo como o ensino é estruturado, avaliado e significado socialmente sofre influências históricas, culturais e políticas.

Também são apresentadas estratégias pedagógicas voltadas para professores interessados em aplicar práticas que promovam equidade racial em sala de aula. Essas estratégias incluem reflexões sobre currículo, atividades contextualizadas e abordagens que valorizem conhecimentos e vivências diversas.

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Módulo 2 – História, cultura e etnomatemática

O segundo módulo aprofunda a relação entre história da matemática e questões raciais. A formação destaca que a disciplina, muitas vezes apresentada como fruto exclusivo da tradição europeia, tem raízes plurais e recebeu contribuições de diversas civilizações africanas, asiáticas, indígenas e árabes.

Outro eixo central desse módulo é a discussão sobre racismo estrutural e seu impacto no desempenho acadêmico de estudantes negros. O curso examina como desigualdades educacionais são produzidas e reproduzidas, influenciando as oportunidades de aprendizagem e a relação dos alunos com a matemática.

O conteúdo também aborda a etnomatemática, área que estuda práticas matemáticas presentes em diferentes grupos culturais. A disciplina surge como alternativa para valorizar saberes tradicionalmente invisibilizados e ampliar a perspectiva dos docentes sobre o ensino da matemática. Ainda no módulo 2, são analisadas práticas pedagógicas que dialogam com a cultura afro-brasileira, incentivando abordagens que relacionem os conteúdos escolares ao contexto sociocultural dos estudantes.

Módulo 3 – Avaliação e cultura antirracista

O último módulo discute a avaliação como ferramenta para promover equidade e combater desigualdades. O curso propõe reflexões sobre como avaliações somativas e formativas podem reforçar ou minimizar desigualdades educacionais, dependendo da forma como são estruturadas.

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Um dos pontos centrais é a defesa de uma cultura avaliativa antirracista, que reconheça as diferenças de percurso dos estudantes e busque meios de reduzir barreiras e ampliar oportunidades. São apresentados exemplos de práticas avaliativas que priorizam acompanhamento contínuo, devolutivas qualitativas e estratégias que considerem a pluralidade de ritmos e estilos de aprendizagem.

O módulo também articula os conceitos apresentados ao longo da formação, demonstrando como a matemática antirracista pode ser aplicada de maneira integrada ao cotidiano escolar.

Flexibilidade para conclusão da formação

Um dos diferenciais do curso é a flexibilidade de tempo para finalização. Os inscritos poderão concluir os módulos em um período mínimo de três dias e máximo de 365 dias. A proposta atende à realidade dos profissionais da educação, que muitas vezes precisam conciliar formação continuada com rotinas intensas de trabalho.

A certificação digital é liberada automaticamente para participantes que realizarem todas as atividades e atingirem o desempenho mínimo exigido.

Inscrições e vagas disponíveis

As inscrições já estão abertas e seguem até o preenchimento das 4.564 vagas ofertadas. Por ser um curso autoinstrucional e de curta duração, a procura tende a ser alta. Assim, o Ministério da Educação recomenda que os interessados realizem a inscrição o quanto antes.

A participação é gratuita, e o processo de inscrição é simples: basta acessar o link do curso na plataforma AVAMEC, fazer o cadastro (para novos usuários) ou entrar com login já existente. Após confirmar a participação, o estudante tem acesso imediato ao ambiente virtual.

As inscrições devem ser feitas exclusivamente em:
https://avamec.mec.gov.br/#/instituicao/seb/curso/18450/informacoes

Para quem a formação é indicada

Embora o conteúdo tenha sido especialmente estruturado para professores de matemática, coordenadores pedagógicos e gestores escolares, o curso também é indicado para:

  • estudantes interessados em docência;
  • profissionais da educação de outras áreas;
  • pesquisadores de educação, currículo ou relações étnico-raciais;
  • pais e responsáveis que desejam compreender práticas pedagógicas inclusivas;
  • qualquer pessoa interessada no tema.

A proposta de democratizar o acesso reforça o papel formativo do Estado na promoção de políticas educacionais antirracistas.

Relevância da temática para a educação básica

Nos últimos anos, discussões sobre práticas antirracistas ganharam espaço nas políticas educacionais e na formação docente. A obrigatoriedade do ensino de história e cultura afro-brasileira e indígena, prevista na legislação, motivou escolas e sistemas de ensino a buscar práticas pedagógicas que valorizem a diversidade e combatam o racismo.

O curso de Matemática Antirracista se insere nesse movimento, destacando que a matemática — frequentemente percebida como neutra — também pode reproduzir desigualdades quando não há intencionalidade pedagógica voltada à inclusão. Ao relacionar conteúdos matemáticos à história, à cultura e à realidade dos estudantes, o docente amplia as possibilidades de aprendizagem e contribui para um ambiente escolar mais justo.

Comparativo com outras iniciativas e política pública

A oferta do curso integra um conjunto de ações do Ministério da Educação com foco na equidade racial na educação básica. Práticas formativas como essa se articulam a políticas mais amplas que visam implementar diretrizes curriculares, fortalecer a formação inicial e continuada de professores e promover materiais pedagógicos orientados à diversidade.

A parceria com organizações da sociedade civil, como a Fundação Itaú, evidencia a crescente articulação entre Estado e instituições comprometidas com o desenvolvimento educacional, ampliando o alcance e a qualidade das formações ofertadas.

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