O governo federal deve anunciar ainda nesta semana um novo percentual de reajuste para o piso salarial nacional dos professores da educação básica. A sinalização foi feita pelo ministro da Educação, Camilo Santana, após a forte reação negativa ao índice atualmente previsto para 2026, de apenas 0,37%, considerado insuficiente por entidades da categoria e abaixo da inflação acumulada de 2025.
Pela regra em vigor, o reajuste do piso do magistério para 2026 resultaria em um acréscimo de cerca de R$ 18 no valor mensal, elevando o piso de R$ 4.867,77 para R$ 4.885,78. O percentual gerou insatisfação imediata entre professores, sindicatos e parlamentares ligados à área da educação, que apontam perda real do poder de compra e fragilização da política de valorização docente.
Novo reajuste de professores deve ser anunciado
Em declaração à imprensa nesta segunda-feira (19), Camilo Santana afirmou que o tema está no centro das discussões do governo. Segundo o ministro, uma reunião deve ocorrer nos próximos dias, envolvendo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e áreas estratégicas da gestão federal, para fechar um consenso sobre um novo índice de correção. A expectativa, de acordo com Santana, é que o anúncio oficial aconteça ainda nesta semana.
“A gente quer corrigir isso para dar mais previsibilidade aos gestores estaduais. Fechamos um consenso na semana passada e esperamos que esta semana a gente possa anunciar o novo percentual”, afirmou o ministro, destacando a preocupação do governo em evitar insegurança para estados e municípios, responsáveis pelo pagamento do piso.
A reação negativa ao reajuste de 0,37% ganhou força porque o índice ficou muito abaixo da inflação de 2025, que fechou o ano em 4,26%. Para as entidades representativas do magistério, aplicar o percentual previsto significaria aprofundar as perdas acumuladas dos últimos anos, especialmente após períodos de reajustes abaixo da inflação e até de congelamento do piso, como ocorreu em 2021.
Diante do desgaste político e da pressão do setor educacional, o governo federal passou a avaliar alternativas para rever o critério de cálculo do piso salarial. Na última semana, a ministra de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, se reuniu com entidades sindicais para discutir possíveis caminhos e construir uma solução que atenda às demandas da categoria sem comprometer o equilíbrio fiscal.
O próprio ministro da Educação já havia antecipado, no início do mês, que o Planalto estuda a edição de uma Medida Provisória para alterar o cálculo do reajuste. Em vídeo publicado em suas redes sociais no dia 8, Camilo Santana afirmou que a orientação do presidente Lula é garantir que o novo modelo passe a valer já a partir de janeiro, com posterior análise e votação pelo Congresso Nacional.
A possibilidade de uma MP é vista como uma forma de dar rapidez à correção do piso e evitar que o reajuste abaixo da inflação se consolide. Ao mesmo tempo, o governo tenta sinalizar compromisso com a valorização dos profissionais da educação, tema central do programa Mais Professores para o Brasil e de outras políticas educacionais recentes.
O piso salarial nacional do magistério foi instituído pela Lei nº 11.738, de 2008, e define o valor mínimo a ser pago aos professores da educação básica pública com jornada de 40 horas semanais. O reajuste anual é calculado com base em indicadores ligados ao Fundeb, principal fundo de financiamento da educação básica, mas o modelo vem sendo questionado por sua instabilidade e por não garantir, em alguns anos, sequer a reposição inflacionária.
Caso o novo percentual seja confirmado, a expectativa é de que ele traga algum ganho real ou, ao menos, recomponha as perdas inflacionárias, reduzindo a tensão entre o governo e a categoria. Até o anúncio oficial, porém, professores, gestores e redes de ensino seguem atentos às negociações, que podem definir os rumos da política salarial do magistério em 2026.

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Inútil…Os governos municipais e estaduais não pagam isso. O Sr Ministro deveria focar na fiscalização destes entes governamentais na aplicação do FUNDEB ao invés de ficar fazendo marketing com um salário que não existe.